Nau frágil


Toda despedida é triste,
Como uma morte que se fez presente,
Um horizonte que se vê poente
Ou uma luz difusa, desistindo.

A vela de um amor que perde o vento,
Perde também a direção e o brilho,
E o coração se perde em desalento
Enquanto a mente encontra o desatino,

Toda despedida é triste,
Como a partida de uma caravela,
Deixando atrás de si um mar em terra,
Nu, desencontro entre o sul e o norte.

A vela que um dia era potente,
No empenho crente a algum santo oportuno,
Molha o pavio, apaga, perde o rumo
E fez-se a noite de um amor pedinte.

Toda despedida é triste,
Pois nem o mar imenso esquece o muro,
E nem a água mole vence o duro despertar
De um amor que tarda, e submerge.

“O covarde nunca medrou, nem quem perto dele morou.”


							

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